As casas astrológicas: um olhar esotérico

July 13, 2017

Nos dias atuais, qualquer pessoa pode aprender Astrologia, seja para saber como vencer na vida, para informar-se sobre o seu "destino", saber de onde veio e para onde vai, conseguir uma clara visão do futuro ou obter ajuda prática para a vida.

 

A astrologia esotérica pretende mais do que isso: ela quer olhar mais fundo e mais longe... 

 

A astrologia esotérica dedica-se à descoberta do sentido secreto, verdadeiro, profundo e oculto do ensinamento astrológico e à pesquisa dos aspectos planetários que proporcionam uma visão mais ampla da realidade.

 

Seu interesse se volta para o desenvolvimento do autoconhecimento na vida de uma pessoa, reconhecendo a sua interioridade no espelho do céu.

 

Acredito que todos vocês estudantes e profissionais de Astrologia conhecem as doze Casas astrológicas e seus significados.

 

As casas se alinham com a segunda lei contida no livro Caibalion de Hermes Trismegisto, qual seja:

 

 

“O que está em cima é como o que está em baixo,

e o que está em baixo é como o que está em cima"

 

 

Agora vamos nos atentar para um detalhe. As Casas de 1 até 6 situam-se abaixo do horizonte. As casas de 7 até 12, acima do horizonte. As Casas inferiores, também conhecidas como noturnas, refletem o interior, as raízes e os pontos de partida. As superiores, denominadas diurnas, ilustram os objetivos e as aspirações no mundo exterior.

 

 

 

"Tudo cresce de dentro para fora"

 

 

As Casas inferiores representam a base e são comparáveis às raízes de uma árvore, enquanto as Casas superiores equivalem à copa da árvore. O eixo que vai de IC (Imun Coeli ou Fundo do Céu) até MC (Medium Coeli ou Meio do Céu) é, por assim dizer, o tronco.

 

 

No entanto, na semicircunferência superior da mandala, há duas Casas que, à primeira vista, não se enquadram no “mundo dos objetivos visíveis”, que são as Casas 8 e 12.

 

 

A oitava casa, que indica o posicionamento diante da morte, ainda é compreensível, já que a morte, quer queira ou não, representa a outra faceta da vida. Mas, aparentemente, o mesmo não se dá com relação à Casa 12, a casa noturna do ego.

 

 

Por que a casa diurna do ego, a Casa 1, está situada abaixo do horizonte, enquanto que a casa noturna do ego, a Casa 12, situa-se acima do horizonte?

 

É preciso ter um olhar esotérico (interior) sobre esta questão. Antes de mais nada, precisamos lembrar o fato de que todos os astros se levantam no leste oriental (onde tem Ascendente na imagem acima) e depois sobem em direção ao sul. O sul é o alvo do dia. Os planetas que mais se aproximam desse alvo, o Meio do Céu, vigoram como planetas de altura máxima e, pela sua posição, apresentam mais força diurna.

 

 

De modo correspondente, os planetas situados próximos ao Fundo do Céu manifestam maior força noturna, ou sombra. Este movimento de leste para sul, oposto à estrutura do zodíaco, é condicionado pela rotação do eixo terrestre, devendo-se levar em conta que todo mapa gira.

 

 

Apesar disso, parece estranho que os planetas que sobrem no horizonte passem primeiro pela Casa 12 e não pela 1. Nesta se encontram apenas os planetas – se houver – que ainda não se levantaram. Os planetas ascendentes que surgem à visão, iluminam com a sua "luz" primeiro a Casa 12, considerada globalmente como o ponto final de um desenvolvimento!

 

 

Portanto, o eu consciente que se revela na Casa 1 encontra-se no espaço escuro do horóscopo, conforme já expressa a própria estrutura das casas. É preciso passar pelas Casas 1 até 6 antes que o desenvolvimento chegue ao espaço diurno (e não importa o método, se por progressão, por direções ou por idade).

 

 

Nesse sentido, esotericamente falando podemos esclarecer que, antes de tudo, é necessário que a sombra seja experimentada e vivida, para que depois se vise o mundo exterior.

 

 

 

O caminho começa nas profundezas, junto às raízes, o que lamentavelmente nem sempre é tido como óbvio.

 

 

 

Uma outra maneira de se compreender o sistema das Casas é observar seus significados que seguem de maneira breve:

 

 

 

 

  • Casa I – de orientação pessoal: atitude básica diante da vida.

  • Casa 2 – de orientação material: dons e valores.

  • Casa 3 – de orientação espiritual: comunicação e cotidiano.

  • Casa IV – de orientação psíquica: pátria, lar, idade.

  • Casa 5 – de orientação pessoal: criatividade, prazer de viver.

  • Casa 6 – de orientação material: cumprimento do dever, perda de energias.

  • Casa VII – de orientação espiritual: atitude diante dos outros, o eco.

  • Casa 8 – de orientação psíquica: questões do limiar e da morte.

  • Casa 9 – de orientação pessoal: ideais, ampliações do horizonte.

  • Casa X – de orientação material: posição no mundo externo.

  • Casa 11 – de orientação espiritual: atitude social, espírito grupal.

  • Casa 12 – de orientação psíquica: balanço da vida, clausura.

 

Essas são, naturalmente, apenas orientações gerais, no entanto, decisivas, se quisermos descobrir o conteúdo esotérico (caminho interior) de um mapa natal.

 

 

Em relação às Casas, vale compreender que fundamentais são as sombras, e portanto as casas opostas, conceito que se expressa melhor na consideração dos eixos das Casas, quais sejam:

 

 

  • O eixo entre as Casas I e VII é o eixo do relacionamento.

  • O eixo entre as Casas 2 e 8 é o eixo de valor/perda.

  • O eixo entre as Casas 3 e 9 é o eixo da comunicação.

  • O eixo entre as Casas IV e X é o eixo de partida/objetivo.

  • O eixo entre as Casas 5 e 11 é o eixo da criatividade.

  • O eixo entre as Casas 6 e 12 é o eixo da carga.

 

 

Além desses, conhecemos mais dois eixos: o eixo do desenvolvimento, que leva do IC ao MC, e não precisa ser idêntico ao eixo IV-X (e na maioria da vezes não é), e o eixo dos nodos lunares, que nos aprofundaremos em outro post.

 

 

 

São doze Casas que condicionam doze sombras...

 

 

 

 

A sombra da Casa I é representada pela Casa VII 

 

O eu percebe o tu como sombra e o egocentrismo do eu deve ser abandonado para que se esteja presente para o tu. Eis aqui uma das maiores dificuldades individuais que muitas vezes só pode ser superada pelo autoconhecimento, ou seja, pelo caminho interior.

 

Na verdade, quase sempre existe o desejo do complemento, mas falta a disposição de se entregar, razão pela qual também fala-se atualmente, entre casais, da necessidade do "caminhar para dentro" ou do "encontrar-se a si mesmo". 

 

Isso é muito importante, mas o encontro de si mesmo deve ocorrer antes que se assuma uma união permanente, pois do contrário, é sujeito não conseguirmos suportar a "carga" na relação.

 

A sombra da Casa VII é representada pela Casa I 

 

O "outro" é importante, mas não deve ser tornar um vício. Aquele que se abandona ao outro e lhe dá ouvidos corre o risco de não ter mais autocrítica suficiente, ou de destruir, pela constante autocrítica, a sua própria energia. O eu só pode ser útil ao tu quando não se perde nele.

 

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A sombra da Casa 2 é representada pela Casa 8

 

Por mais que os dons, talentos e valores possam parecer importantes para o desenvolvimento, ainda mais importante é o posicionamento diante das perdas eventualmente causadas pelos mesmos dons e talentos, ou frente à perda de valores, que se torna muitas vezes um autêntico estímulo à mobilização dos dons.

 

A sombra da Casa 8 é representada pela Casa 2 

 

O comportamento em face das perdas - das quais também pode fazer parte a morte, por simbolizar a perda da vida que talvez amemos - não deve degenerar numa agressão a si mesmo, mas servir de oportunidade para ir em busca de novos valores. Assim como cada ganho contém uma perda, cada perda contém um ganho.

 

 

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A sombra da Casa 3 é representada pela Casa 9 

 

A comunicação com o meio ambiente, no dia a dia, é certamente importante e animadora, mas, ao lado disso, nunca se deve esquecer o objetivo ideal de ampliar os horizontes. É só pela ultrapassagem dos horizontes conhecidos que nos habilitamos a dar pleno sentido ao cotidiano e a "dominá-lo".

 

A sombra da Casa 9 é representada pela Casa 3

 

É maravilhoso ampliar os horizontes e realizar os próprios ideais. Deve-se dar todo o apoio ao esforço da busca de um sentido superior, a não ser quando isso se dá às custas da comunicação geral, o que poderia gerar esnobismo. Somente depois de tomar a sério as pequenas coisas e cumprir os deveres cotidianos é possível entregar-se à espiritualidade elevada, à fé e aos desejos.

 

 

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A sombra da Casa IV é representada pela Casa X 

 

Por mais importante que sejam a pátria e o lar da pessoa, contar apenas com eles pode se tornar perigoso e obstruir o acesso ao mundo exterior. Somente abandonando a pátria e o lar e respirando ares diferentes é que se aprender a apreciar o valor da origem.

 

A sombra da Casa X é representada pela Casa IV 

 

Quase sempre aspira-se a uma posição positiva no mundo exterior. Mas nunca se deve negligenciar por causa disso o lar e os laços com a pátria. A força genuína que torna possível uma posição positiva provém do lar e da pátria. Caso a posição social não seja satisfatória, não se deve levar a negatividade para o lar ou projetá-la sobre ele. Nunca se deve renegar o laço com o lar, como costumam fazer os que querem subir na vida ou as pessoas que se sentem infelizes em seus lares.

 

 

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A sombra da Casa 5 é representada pela Casa 11 

 

Por mais importante que possa ser a criatividade - que ela se manifeste na criação de filhos, quer na de obras artísticas ou em nossas invenções (que não deixam de ser também nossos "filhos") -, só é possível legar ao mundo algo real quando os objetos criados se incorporam socialmente, isto é, quando existem também para os outros, não os excluindo, e ainda quando se tem a certeza de que o prazer de criar não é conseguido à custa alheia.

 

A sombra da Casa 11 é representada pela Casa 5

 

A incorporação social deve ser tão completa a ponto de inviabilizar a própria realização criativa. Homens justos que se engajam numa tarefa comunitária precisam cuidar para que eles próprios se mantenham criativos. A submissão incondicional às tendências de uma comunidade (por exemplo, as ditaduras) ou ao espírito geral da época se dá às custas da própria personalidade do indivíduo.

 

 

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A sombra da Casa 6 é representada pela Casa 12 

 

Por mais louvável que possa ser o cumprimento do dever para com o outro, o eu precisa verificar o saldo de sua ação. Ao lado de todo sacrifício em favor dos outros, é preciso refletir repetidamente sobre si mesmo, e, quando as doenças anunciam o declínio das energias, é necessário introduzir medidas de regeneração e desenvolver também as próprias energias curativas.

 

A sombra da Casa 12 é representada pela Casa 6

 

Por melhores e mais sensatos que possam ser a clausura e o silêncio, nunca se deve, no entanto, preferi-los ao cumprimento do dever. Retirar-se da vida, por estar satisfeito consigo mesmo, seria mortal. É inadmissível pensar e planejar para si, sem permitir que os outros participem. Aquele que, durante a convalescença, só pensa na própria saúde e não se dispõe a estra presentes para os outros, em pouco tempo estará sozinho externamente e, por consequência, também no seu íntimo.

 

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A maneira esotérica de pensar já deve estar ficando clara para você, cara(o) leitora(o). Sua base é a complementação, a procura do centro, sem deixar de lado ou esquecer os extremos. Trata-se de um comportamento íntegro, sem o qual é praticamente impossível um verdadeiro amadurecimento.

 

 

Nessa relação entre luz e sombra, as casas que contêm planetas são, naturalmente, as mais importantes. As energias dos planetas indicam as orientações através das casas. Se alguém, por exemplo, tem muitos planetas na Casa 11, precisa fazer força pra não abandonar a criatividade do seu eu. Sempre há relações entre as casas situadas acima do horizonte e as situadas abaixo do mesmo.

 

 

Podemos dizer que as casas situadas acima do horizonte são mais dirigidas pela consciência do que as casas que se encontram abaixo da linha entre o ascendente e o descendente. É preciso, contudo, que se tenha sempre clareza também sobre o inconsciente. É comum encontrar pessoas que negam isso e julgam, com a melhor das intenções, que pensando e agindo por meio da sua "consciência" serão capazes de se ajudar...

 

 

 

Quem não conhece a estabilidade do seu porão pode superestimar a capacidade de carga do seu próprio sótão.

 

 

 

 

Tudo começa na parte inferior. Construímos da terra para o céu. As plantas germinam sob a terra e, em seguida, brotam dela. Além disso, a terra precisa ser boa, do contrário nada se desenvolve. Precisamos, portanto, nos interessar pelo estado do inconsciente, ou "reconhecer o terreno", antes de subir mais alto.

 

 

*Texto compilado do livro "Die Esoterik in der Astrologie", de Bernd A. Mertz, 1992.

 

 

 

Até a próxima!

 

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