O Mundo Astral de Pessoa: A Heteronímia

Afinal de contas seria Fernando Pessoa um Astrólogo Poeta ou um Poeta Astrólogo?



Nem toda a gente sabe mas Fernando Pessoa, renomado poeta português, foi também um grande estudioso do ocultismo, maçom e Astrólogo que sabia utilizar os ensinamentos de uma sabedoria milenar no seu dia-a-dia, nos seus frequentes diálogos consigo mesmo e na descoberta do interior dos outros.



A Astrologia fez parte do quotidiano do escritor, que lidava com ela de manhã, à tarde e pela noite adentro, como atestam as imagens dos diversos cálculos e estudos realizados, com indicação precisa da data e da hora em que foram feitos.




Dados Pessoais: Fernando Antonio Nogueira Pessoa, natural de Lisboa, freguesia dos Martyres, prédio nº4, Largo de S. Carlos, nasceu no dia 13 de junho de 1888 às 15h20. Filho legítimo de Joaquim de Seabra Pessoa e Maria Madalena Nogueira Pessoa. Neto paterno do General Joaquim Antonio de Araujo Pessoa, combatente das campanhas liberaes, e de D. Dionysia Seabra; neto materno do Conselheiro Luiz Antonio Nogueira e de D. Magdalena Xavier Pinheiro.



Posição religiosa: Cristão gnóstico e, portanto, inteiramente oposto a todas as Igrejas organizadas, e sobretudo à Igreja Apostólica Romana. Fiel à Tradição Secreta do Cristianimos, que tem relações diretas com a Tradição Secreta em Israel (a Santa Kabbalah) e com a essência oculta da ordem Maçônica. Iniciado, por comunicação direta de Mestre a Discípulo nos treze graus menores da aparentemente extinta Ordem dos Templários de Portugal.

(Trecho de Nota Autobiográfica, 1935)




(Imagem: Mapa Natal de Fernando Pessoa)


Foi precisamente a 24 de julho de 1915 que Pessoa confessou, numa carta ao editor de "A Thousand and One Notable Nativities", do famoso Astrólogo Alan Leo, o seguinte: “I am a student of astrology” (Eu sou um estudante de astrologia):




(Imagem: Trecho da carta de Pessoa para Alan Leo solicitando o horóscopo de Francis Bacon para estudos pessoais)




Neste mesmo ano, em 1915, Fernando Pessoa atribuiu a Raphael Baldaya o heterônimo que assinou muitos textos de teor astrológico, estabelecendo inclusive uma tabela de honorários que variavam entre os 500 e os 5000 réis. Sim, o geminiano Pessoa ganhou alguns tostões com Astrologia e foi igualmente múltiplo com a forma como praticava Astrologia.



Pessoa podia estar fazendo um texto ou um cálculo astrológico e, quase ao mesmo tempo, compor um texto ou criar um poema relativo à substância do planeta ou do assunto astrológico que estava pensando. Há casos em que no rosto de uma folha Pessoa estuda as características relativas a um determinado planeta do sistema solar e, no verso da mesma, compõe um texto de prosa ou poema sobre esse planeta ou sobre o mesmo assunto.



Uma das mais antigas menções a Baldaya surge num apontamento de cerca de 1915 em que Pessoa lhe atribuiu duas obras: “Sistema de Astrologia” e uma “Introd[ucção] ao estudo do occultismo”.




(Imagem: Manuscrito de Fernando Pessoa mencionando Raphael Baldaya)




O conjunto formado pelo horóscopo de Pessoa e pelos horóscopos dos seus três heterônimos (Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos) revela uma arquitetura muito especial, complexa e rigorosa. Esse conjunto nos faz sentir como se estivéssemos perante uma espécie de caleidoscópio astrológico em que se reconhece um eixo comum nos três diferentes “companheiros de espírito” de Pessoa: o eixo seria o planeta Mercúrio, astro regente do Signo solar de Pessoa (Gêmeos).



Além disso, Pessoa refere-se a uma das doze Casas astrológicas como aquela “que é a do mundo astral”, a Casa VIII. Isto é muito mais do que uma coincidência, pois Mercúrio também simboliza a irmandade, e Pessoa estava não só a se converter ele próprio em uma literatura como criando uma espécie de “fraternidade astral”, concebida através do “mundo astral”.



Nos mapas dos heternônimos podemos destacar mais um fator curioso que representa essa irmandande. Se considerarmos os Signos Ascendentes dos quatro horóscopos, contando com o de Fernando Pessoal, verificamos que:


  • Fernando Pessoa pertence ao elemento ÁGUA

  • Alberto Caeiro ao elemento FOGO

  • Álvaro de Campos ao elemento TERRA

  • Ricardo Reis ao elemento AR


Quer dizer, a família heteronímica detinha a PLENITUDE dos princípios fundamentais da filosofia ancestral e que constituía, em suma e simbolicamente, algo de absoluto e indivisível. Os quatro poetas eram, em si, TODO UM UNIVERSO.



Fernando Pessoa também traçou mapas astrais de mais de 1500 personagens históricas ou contemporâneas. Dentre eles, Robespierre, Aleister Crowley, Guilherme II da Alemanha, D. Carlos de Portugal, D. Sebastião, Lord Byron, Oliveira Salazar, Mussolini, Chopin, Oscar Wilde, Afonso XIII de Espanha, Vítor Emanuel III de Itália e William Shakespeare foram algumas das personalidades sobre as quais desenhou o respectivo mapa astrológico.



(Imagem: Mapa Natal de Aleister Crowley por Fernando Pessoa)

De todos as entidades anteriores citadas, Pessoa interessou-se muito especificamente pela figura de Oscar Wilde, e esse interesse o levou em diversas direções aparentemente divergentes: fez o mapa, aliás, dois, realizados em épocas diferentes, elaborou uma longa lista de acontecimentos da vida do escritor irlandês de modo a fazer pontes entre os acontecimentos de sua vida e as configurações astrais que poderiam ter provocado tais eventos. Sem esquecer que Pessoa também produziu material para o Livro do Desassossego em que se refere a Wilde.


Não parando por aqui, Pessoa analisou o caráter de Oscar Wilde através da Astrologia e descobriu semelhanças entre o seu horóscopo e o de outras personagens não menos famosas, como Napoleão, e comentou ainda similitudes entre o caso astrológico de Wilde e o seu próprio caso.



Para completara esta plurifacetada abrangência, entre algumas dissertações estéticas e literárias acerca da criação, da personalidade e da obra do autor de O Retrato de Dorian Gray, Pessoa fez ainda certas conjecturas astrais de modo a perceber porque é que Wilde morreu aos 46 anos, e ainda indagações sobre a posição dos planetas nesse momento derradeiro da existência do escritor irlandês.



AS DÚVIDAS SOBRE MORTE E AS RESPOSTAS DA ASTROLOGIA POR PESSOA



A morte foi, para Pessoa, se não uma obsessão, uma grande e permanente interrogação. No legado pessoano existem dezenas de páginas com cálculos e reflexões sobre este tema, na sua grande maioria relacionados com a morte do escritor.



É que Pessoa interrogou-se sobre a sua morte em diferentes textos mais ou menos desenvolvidos, manuscritos e datilografados, em português e em inglês, nos quais analisou quase sempre os mesmos fatores astrológicos: o Sol, por ser o doador de vida e símbolo da vitalidade; os planetas relacionados ao Signo Ascendente, porque governam o corpo físico; e a chamada Casa da morte (Casa VIII) e da saúde (Casa VI).



Além disso, Pessoa “matou” o heterônimo Alberto Caeiro, ou seja, determinou a data da morte do Mestre, procurando um período em que as configurações astrais para isso remetiam. Em geral, Pessoa, à margem de variadíssimos temas astrológicos, anotava a data da morte do nativo, quando esta já tinha acontecido, tentando descobrir quais os astros responsáveis por esse acontecimento e os motivos pelos quais se tinha verificado em determinado período.



Estudando as dúvidas sobre a morte que tinha Pessoa e as respostas que encontrou na Astrologia, fica-se com a ideia de que o poeta poderia ter tido uma razão especial para recorrer à tais práticas astrológicas: estar mais avisado do dia em que chegaria a sua hora, do modo a poder preparar a Obra, já que o seu destino estaria “subordinado cada vez mais à obediência a Mestres que não permitem nem perdoam”. A Astrologia serviu de instrumento para Pessoa poder estruturar melhor a planificação da sua vida e da sua obra.



Em Astrologia existe um número elevado de técnicas de previsão e Pessoa experimentou grande parte deles. Usou desde Progressões, Direções Secundárias, Revolução Solar e Revolução Lunar até a Astrologia Horária. Percebe-se que Fernando Pessoa sabia o que estava fazendo, era letrado na arte de levantar horóscopos, bem como sabia lançar mão de técnicas elaboradas.



Referências: Fernando Pessoa - Cartas Astrológicas. Paulo Cardozo.




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