Uma pequena história da Astrologia


A Astrologia pode ser definida como o estudo das presumíveis influências dos corpos celestes na personalidade e nos destinos do Homem. Apesar da insistência de alguns astrólogos em classificá-la como ciência, oficialmente, nunca foi reconhecida como tal.



Uma arte, sem dúvida, de remotas origens. Suas concepções originais foram criadas pelos caldeus no século XXX a.C. e, de acordo com os mais remotos registros conhecidos, nasceu na Mesopotâmia, extensa planície que se localiza entre os rios Tigre e o Eufrates e que, hoje em dia, faz parte do Iraque. Esta região, pobre e aparentemente inexpressiva, foi um dos berços do homem civilizado, onde viveram os sumerianos, acadianos, caldeus, babilônios, assírios, persas e selêucidas, além de muitos outros povos. Favorecida pela sua rasa topografia como o lugar ideal para observação do firmamento e a consequente evolução da Astronomia e da Astrologia.



Desenvolvida pelos antigos babilônicos e egípcios, a Astrologia espalhou-se pela Grécia nos meados do século IV a.C., chegando a Roma antes do advento da Era Cristã. Estendeu-se, igualmente, pela China e Índia, sendo acolhida e elaborada, mais tarde, pelos árabes entre os séculos VII e XIII, mantendo predominantemente influência nas cortes europeias dos séculos XIV e XV.



O livro Babyloniaca, escrito em grego pelo sacerdote caldeu Beroso, cerca do ano 280 a.C., foi, talvez, o responsável pela maior divulgação da Astrologia babilônica na Grécia. Bem sucedido, Beroso estabeleceu-se como professor de Astrologia na ilha de Cós, onde existia uma pequena mas próspera colônia grega e a escola de Medicina de Hipócrates. Foi assim que a Astrologia e a Medicina acabaram tornando-se aliadas, permanecendo intimamente ligadas até o século XVII.



A medicina astrológica, também denominada "hermética", foi formalizada, em princípio, nos escritos de Hermes Trimegisto, nome que os gregos deram ao deus egípcio Tot. Como parte do seu conteúdo, seguido a até hoje, esta doutrina defendia o defeituoso raciocínio de que o homem reproduzia em si, em miniatura (microcosmo), a estrutura do Universo (macrocosmo). Sustentava, além disso, que as várias indisposições que afetam as pessoas são oriundas dos diferentes decanatos, isto é, as divisões dos 10° dos signos.



A Astrologia um tanto limitada dos babilônios, pois não analisava interesses pessoais e sim eventos em larga escala como guerras, enchentes, eclipses e os prováveis efeitos sobre seus reis, que personificavam os assuntos de Estado, foi desenvolvida e elaborada pelos gregos. Estes, através de suas observações e muita imaginação, aplicaram à Astrologia conceitos matemáticos, astronômicos e filosóficos, tornando a leitura dos astros uma arte bem complexa, o que, eventualmente, abriu caminho para as mais variadas interpretações e as adulteradas hipóteses difundidas pelos astrólogos, cada vez mais ousados, de épocas posteriores.




Baseados nos escritos de Beroso, os gregos foram responsáveis pela divulgação dos horóscopos individuais na Europa. Foi Ptolomeu, grande matemático, astrônomo e geógrafo grego, nascido perto de Alexandria, no Egito, quem, cerca do ano 140 d.C., desenvolveu no mundo antigo a influência da Astrologia, através da sua obra Tetrabiblos, o mais completo trabalho no assunto, e que reunia, ainda, todas as informações a respeito do passado desta arte. No seu livro, Ptolomeu estabeleceu os princípios básicos da "influência cósmica", a qual constitui o âmago da moderna prática astrológica.




A tradição clássica que fundamentava a Astrologia entrou em declínio com a morte de Ptolomeu, em 180 d.C., e, cerca de dois séculos mais tarde, quando o Império Romano se desintegrou, a Astrologia caiu temporariamente para a condição de uma deturpada superstição. Esta decadente situação foi um dos motivos por que a Igreja Cristã atacou suas práticas, consideradas pagãs, com todos os meios à sua disposição. A preservação, sobrevivência e renascimento não só da Astrologia mas como da Astronomia e da Filosofia clássica, devem-se à avançada cultura árabe, que, a partir do século VIII, existia na África do Norte e Mediterrâneo oriental.



O tratado de Albumansur (805-885), Introdutorium in Astronomium, foi um dos primeiros livros a aparecer, traduzido na Espanha e em outros países europeus, no início da Idade Média, contribuindo de forma significativa para o renascimento da Astronomia e da Astrologia. Foram também os árabes os primeiros a associar as qualidades curativas de certas ervas com os signos ou específicos planetas.


Apesar da falta de elementos históricos mais remotos, não é difícil imaginar como nasceu a Astrologia e quais as origens das suas superstições. Muitos povos da Antiguidade tinham, no Sol e na Lua, os seus deuses, que adoravam com grande religiosidade e aos quais foi atribuída a responsabilidade pelos fenômenos astronômicos hoje explicados pela Ciência. Em 2350 a.C., os acadianos conquistaram a Suméria e governaram toda a Mesopotâmia. Eles veneravam o Sol, considerado feminino, a Lua e o planeta Vênus (masculinos), enquanto os sumerianos adoravam uma plêiade de deuses. A mistura das duas religiões e culturas transformou o Sol numa divindade masculina denominada Shamash, filho da Lua, chamada de Sin, que representava um velho homem remando em seu bote através do céu.


À brilhante Vênus foi dada uma dupla interpretação: no seu aparecimento vespertino era Ishtar, a deusa da fertilidade, e, no matutino, também Ishtar, mas masculino e deus da guerra. Os movimentos aparentes destes astros na abóboda celeste começaram a ser analisados, previstos e registrados, e, eventualmente, quando ocorriam eclipses, solar ou lunar, além do pânico que estes eventos provocavam, eles eram associados, em apressadas conclusões, a períodos de adversidade, constituindo, portanto, maus presságios.



Além do mais, a posição mais para o Norte ou mais para o Sul do Sol, no nascente ou no poente, foi notada como indicadora das estações do ano e das épocas de plantio ou de colheita, assim como a posição relativa Sol/Lua foi logo relacionada com os ciclos das marés. Já que os dois astros exercias óbvias influências sobre a Terra, não se pode estranhar que esses antigos e supersticiosos povos passassem a acreditar que os cinco planetas então conhecidos, e também as estrelas, fosse igualmente responsáveis por outros acontecimentos.



Estabelecidas tais premissas, as circunstâncias de uma conjunção planetária ou a aparição de um cometa, coincidentes com períodos de seca, inundação ou praga, eram logo associados a maléficas influências astrais, assim como outras configurações planetárias, concordantes com épocas de paz e prosperidade, foram consideradas benéficas.



Os observadores mais atentos passaram a notar, também, que o Sol descrevia sua trajetória diurna sempre coincidente com determinadas estrelas no céu noturno, mesmo que esta trajetória se delineasse mais para o Norte, no verão, ou mais para o Sul, no inverno, uma vez que habitavam no Hemisfério Norte. É claro que não associavam estes deslocamentos com o fato de a Terra girar em torno do seu eixo e de este estar inclinado em relação à sua órbita ao redor do Sol. Agrupamentos de estrelas "fixas", próximas à linha descrita pelo Sol no firmamento, foram classificados como constelações que, em regra, receberam o nome de animais, muitos dos quais era, também adorados pelos povos antigos.


Nascia assim o Zodíaco Solar:




A origem e a época da concepção do zodíaco, apesar de não ter ainda esta denominação, ligam-se a inúmeras teorias. Mas, num geral acordo de opiniões, o seu nascimento é assinalado às margens do rio Eufrates, criado por arcaicos povos que habitavam, cerca do ano 3000 a.C., essa região da Ásia Menor.



Até a próxima!

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